Feed my eyes

Naquele ambiente não havia como se enganar
nada de tão especial poderia aparecer por alí.
tudo parecia contrariar as regras
e andar na contramão do que lhe parece lógico.
e aí estava seu problema
não existem regras e a lógica não passa de uma desculpa
pra quem precisa acreditar em algo.
mas esperava ao menos um fundo de coerência,
necessidade de confiança
é o que alimenta os olhos.

o castanho era o retrato opaco da vida
e as pálpebras gentis e cordiais
só queriam lhe poupar das cores mentirosas da noite
naquela mesa, um só copo era pequeno demais
para aguentar o mergulho de todo o seu corpo
a bebida descia gelando sua alma
e as janelas dela, constantemente
na rotina de quase se fechar.

.
.
.

"não descreva suas visões distorcidas
e também não esconda todas as belezas e alegrias
que compartilhamos quando estamos com a lua a nos guiar"

eram as vozes sóbrias que lhe sopravam aos ouvidos,
dividindo espaço com a bela melodia,
em uma madrugada gelada que contava ainda
com a presença do pó que saia dos papéis em sua mesa,
dando vida a escritos adormecidos.
e não somente isso...
e bem por isso, pedia:

por favor,
não desperte em mim sem a certeza de um amanha pra você
não é um espelho quebrado que vai te garantir sonhada estabilidade
no máximo vou lhe mostrar o mundo torto
que meus olhos embriagados sempre se esquecem
e convivem serenamente,
ironicamente.

agora, me aqueça e me deixe durmir
e não espere que eu repita meus gestos...
os olhos ainda pedem alimento.

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